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Ressignificar espaços para construir pertencimento

José Rubino de Oliveira foi o primeiro professor negro das Arcadas, ainda em plena escravatura. Inegável que foi um dos nomes mais corajosos que já pisou na 1ª academia de direito do Brasil e, outrossim, ousou cravar seu nome na História. Queremos dar a devida honra ao seu passado, marcando o espaço que Rubino tanto lutou para pertencer.

Por meio deste abaixo assinado o C.A. XI de Agosto propõe a nomeação do Auditório do 1º andar do prédio histórico, localizado na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, como “Auditório Professor Rubino de Oliveira”.

As assinaturas aqui conquistadas serão levadas à Congregação por meio da relatoria do atual Diretor, o Professor Titular Floriano de Azevedo Marques Neto.

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"Com versos que o livro apagou"

 

Em pleno período escravocrata um ex-seminarista negro, chamado José Rubino de Oliveira ousou ser aluno da Velha e Sempre Nova Academia, e, como se não bastasse, atreveu-se em ser docente da Casa. Tentou por 10 vezes alcançar o cargo, até que conseguiu fazer com que as eugenistas Arcadas abrissem suas portas para um intelectual negro.

Nascido em Sorocaba, em 1837, órfão de pai, foi alfabetizado pela padrasto e passou a infância na pobreza, exercendo o ofício de seleiro. No ano de 1859, em São Paulo, matricula-se em um Seminário para que pudesse ter acesso à educação - refúgio tradicional para aqueles a quem sobrava talento, mas faltavam posses. 

Não chegou a concluir o os estudos seminaristas, mas foi na capital da província que encontrou espaço para exercer seus conhecimentos; passando nos exames para ingresso na Faculdade de Direito em 1864, aos 27 anos. 

Em seu período como acadêmico, foi contemporâneo de estudantes como Ruy Barbosa, Rodrigues Alves e Joaquim Nabuco. Ainda, foi colega do poeta Castro Alves, não deixando a desejar intelectualmente a nenhum de seus pares brancos e ricos, apesar da luta e suor diários em ter que trabalhar para conseguir completar seus estudos.

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“por menos que conte a história

não te esqueço meu povo

se Palmares não vive mais

faremos Palmares de novo”

José Carlos Limeira

“José Rubino de Oliveira. - Paulista. Filho de José Pinto de Oliveira, perdeu cedo a protecção paterna, e foi educado por um padrasto, de nome Benedicto da Luz, negociante de arreios em Sorocaba.

Estatura regular, rosto comprido, ornado de ligeiro bigode e escassa barbica sob o queixo. De côr parda… sim, elle era pardo. Não tocariamos neste ponto, se não fosse o proprio Rubino o primeiro a chasquear sobre a coisa.

Embora pardo disfarçado, não queria elle aproveitar-se desse disfarce; ao contrario, fazia alarde de sua côr. Nella falava todos os dias, a toda hora, em tom humorístico, tal qual o fazia Luiz Gama, de quem era amigo e de quem, gracejando, se dizia parente.

Demais, Rubino e Luiz Gama, como se sabe, costumavam dar o tratamento de - primo a todos os homens de côr, e muito principalmente aos que desejavam ser tidos como brancos.

E se a pessoa protestava, quanta causticidade engraçada então se ouvia!”

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"Tem sangue retinto pisado atrás do herói emoldurado"

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A Faculdade de Direito da USP é conhecida por ter em seu edifício diversos quadros de antigos professores expostos, além de salas nomeando diversos deles.

 

De todas as salas nomeadas, apenas duas são destinadas a mulheres e apenas três para figuras históricas negras, Pedro Lessa, Luiz Gama e Cesarino Jr.

Para mudar esse fato, queremos que o primeiro professor negro do Largo de São Francisco dê o nome para o Auditório do 1º andar da Fac. de Direito.

Nomear esse auditório em específico é ainda mais simbólico: se não fosse a mobilização dos estudantes, ele teria sido batizado de Pedro Conde, patriarca da família responsável pelo financiamento da reforma do local. Os alunos, então, não aceitaram, fazendo com que a USP devolvesse o dinheiro para a família do banqueiro.

Agora, estamos aqui hoje para que a Congregação da Faculdade aceite um nome legítimo para o auditório: Rubino de Oliveira!

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